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Guardiola x Diniz: O que esperar?

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De um lado, Guardiola, pelo Manchester City. Do outro, Fernando Diniz, pelo Fluminense.

As equipes se enfrentam na próxima sexta-feira (22/12/2023) pela final do Mundial de Clubes da Fifa.

Acompanhe conosco as características dos comandantes e quais o possíveis desfechos para esta final.

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Contexto do Mundial de Clubes da Fifa

O Mundial de Clubes da Fifa é, ou pelo menos deveria ser, a expressão do melhor time do mundo dentro de uma temporada.

Desde a época do dito Intercontinental, disputado apenas entre o campeão da Copa Libertadores e da Champions League, sul-americanos e europeus se enfrentavam por este título.

Para os clubes brasileiros, por exemplo, a chance destes confrontos oficiais foi diminuída durante muito tempo, já que jogar a Libertadores era uma tarefa difícil por questões logísticas e de segurança.

De todo modo, se pegarmos o período dos Intercontinentais, disputados até 2000, os sul-americanos costumavam levar a melhor sobre os europeus.

Tudo começa com o Santos, em 1962 e 1963. Pelé e companhia venceram o Benfica e o Milan, respectivamente.

Sem novidades: FIFA reconhece Santos FC como bicampeão do Mundo em 1962 e 1963 - Santos Futebol Clube

Imagem: Reprodução Santos FC

O Brasil volta a ganhar uma Libertadores em 1976, com o Cruzeiro. Apesar de ter um time esplêndido com Nelinho e Dirceu Lopes, não foram capazes de superar o mais esplêndido ainda Bayern de Munique, que contava com Sepp Meier, Backenbauer, Gerd Müller e Rummenigge.

Em 1981, o Flamengo que encantou o mundo. Capitaneados por Zico, o Rubro Negro aplicou um sonoro 3×0 sobre o Liverpool, sem dar qualquer chance aos ingleses.

Dois anos depois foi a vez do Grêmio, guiados por seu ídolo eterno, com a bola no pé ou na área técnica, Renato Gaúcho. Batem o Hamburgo e se consagram campeões mundiais.

Na entrada dos anos 90, o São Paulo repete o feito do Santos e vence dois mundiais seguidos, batendo o Barcelona e o Milan. Uma equipe histórica de Tele Santana.

São Paulo x Milan: tudo sobre o Mundial de 1993

Imagem: Jorge Araújo/Folhapress

O Grêmio vencia outra Libertadores em 1995. O adversário europeu foi o Ajax, que saiu campeão depois de um triunfo nos penaltis.

Outro que teve seu bicampeonato foi o Cruzeiro, em 1997. De todo modo, o Borussia Dortmund vence por 2×0 e tira mais uma chance de título mundial da Raposa.

O Vasco da Gama, com mais um time lendário, pegou o Real Madrid na final de 1998, mas perdeu por detalhe. Bem como o Palmeiras, em 1999, que pegou o Manchester United, mas terminou derrotado, fechando assim as disputadas intercontinentais.

Portanto, em 11 disputadas de Intercontinentais entre brasileiros e europeus, equilíbrio. Os brasileiros conquistaram o mundo 6 vezes, comparadas a 5 dos europeus.

Em seguida, entramos nos anos 2000 e o formato de disputa do mundial muda completamente. A primeira edição, inclusive, contou com os campeões de cada continente, além de Real Madrid (campeão intercontinental de 1998) e o Corinthians (campeão do Brasileirão de 1998).

O Timão se sagrou campeão.

Nos anos 2000, supremacia dos brasileiros sobre os europeus. O São Paulo, em 2005, se tornou o maior campeão mundial do Brasil, vencendo o Liverpool.

No ano seguinte, o Internacional ganhava sua primeira Libertadores, bem como vencia o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho.

Já em 2010, o barco vira e a situação muda completamente de figura. Os brasileiros começam a acumular cada vez mais Copas Libertadores, protagonizando títulos e finais consecutivas.

Entretanto, quando o assunto era Mundial de Clubes, não apenas a vitória dos europeus se tornou uma tônica, mas também equipes africanas e asiáticas passaram a vencer os brasileiros.

Em 2010 o Internacional, que havia batido o Barcelona quatro anos antes, sofre a primeira eliminação de um brasileiro na semifinal, perdendo para o modesto Mazembe, da República Democrática do Congo.

Em 2011, o Santos passa pelo Kashiwa Reysol, do Japão, mas leva um impiedoso 4×0 do Barcelona.

Em 2012, o Corinthians consegue a proeza do último título mundial brasileiro, vencendo o Chelsea por 1×0.

Corinthians vence Chelsea e é bicampeão mundial

Imagem: AFP

Um ano depois, o Atlético Mineiro de Ronaldinho Gaúcho perde para o Raja Casablanca na semifinal.

O Brasil chega a outra final seis anos depois. O Liverpool consegue sua revanche contra o Flamengo e vence por 1×0, conquistando seu primeiro título mundial depois de seis tentativas frustradas.

Em 2020, o Palmeiras perde para o Tigres do México, na semifinal. O Verdão volta à final no ano seguinte, mas não consegue superar o Chelsea, que vence seu primeiro Mundial de Clubes da Fifa.

Em 2022, o Flamengo não chegou à final. Perdeu para o Al-Hilal na semi.

Agora, em 2023, o Fluminense chega para disputar com o Manchester City. Duas equipes que terão a sensação de jogar este jogo tão importante pela primeira vez em sua história.

Mas à que atribuímos esta discrepância entre europeus e sul-americanos, como um todo, nos últimos anos?

Não é exagero atribuir tal supremacia à injeção de capital cada vez mais díspar entre os continentes. De modo que não só os europeus, mas como também times africanos e sobretudo asiáticos tem investimentos abismais, contratando os melhores jogadores  do mundo, inclusive os tirando dos próprios times brasileiros.

Será que o Fluminense conseguirá fazer história e superar este abismo econômico?

Guardiola x Diniz: O que esperar?

De um lado, aquele que é considerado por muitos o maior treinador da história do futebol, Pep Guardiola.

O espanhol, apesar de ter afirmado odiar o estilo, levou o Tik Taka a um outro nível. Baseado no futebol extremamente posicional, ele quer sim a prevalência da posse de bola e troca de passes em velocidade. Mas diz que tocar a bola por tocar é um lixo e que cada passe deve ter um propósito.

Isto se traduziu na época de ouro do Barcelona.

De todo modo, como o profissional excepcional que é, ele não se apoiou apenas neste estilo de jogo e buscou aprimorá-lo, sempre levando em consideração o elenco que tem em mãos.

Hoje em dia, por exemplo, vemos um Manchester City muito mais vertical se comparado ao Barcelona, além da utilização crescente de jogadas pelos lados do campo.

Com isso, fez o que parecia impossível. Conquistou quatro Premiere League com os Cityzens e a tão sonhada Orelhuda.

Senhor Barça: Pep Guardiola colheu títulos, recordes e poucas frustrações | globoesporte.com

Imagem: Issei Kato

Do outro lado, um técnico muito corajoso, que conseguiu seu primeiro título profissional apenas este ano (2023).

Fernando Diniz pagou alto em sua carreira por ter claro um determinado estilo de jogo revolucionário.

Começa a fazer sucesso chegando à final do Campeonato Paulista de 2016, pelo modesto Audax, da região Metropolitana de São Paulo. É derrotado pelo Santos, na final.

A partir daí começa a trilhar sua carreira por diversas equipes grandes do cenário nacional. Passa pelo São Paulo, onde por pouco não é Campeão Brasileiro. Também treina Santos, Vasco da Gama, Athletico Paranaense e o próprio Fluminense.

Não consegue o título nestas equipes. Muitos da imprensa e torcedores começavam a desconfiar da efetividade do estilo de Diniz, já que resultados na sala de troféus não aconteciam.

Mas em sua volta ao Fluminense, em 2022, as coisas começaram a acontecer e o trabalho de uma vida começava a se traduzir em canecos.

Campeão Carioca, vencendo o Flamengo por 4×1 na final.

Campeão da Copa Libertadores, com viradas improváveis durante todo o torneio.

Se por um lado Pep é o maior patrocinador do futebol posicional, sendo até comentado por Thierry Henry numa determinada oportunidade, que o treinador o substituiu por ter buscado a bola nos pés do volante, quando ele o tinha mandado permanecer aberto.

Por outro, Diniz adota a lógica inversa. Segundo ele, o futebol é intuitivo e os espaços do campo devem ser preenchidos de acordo com as percepções de cada jogador.

Diniz diz, inclusive, que tanto no âmbito de seleções nacionais quanto de clubes, a supremacia recente de europeus sobre brasileiros se dá não somente pelo abismo econômico, mas também porque os europeus evoluíram e buscaram maneiras de vencer o futebol sul-americano.

O Brasil, por sua vez, buscou reproduzir os estilos de jogo criados pelos europeus, sendo totalmente inefetivo. Para ele, o brasileiro deve recriar seu próprio estilo, apostando em suas questões culturais e até mesmo geográficas, com primazia da intuição e controle de bola dentro de espaços curtos.

Nesta próxima sexta-feira, teremos a prova se o antídoto de Diniz funcionará.

De qualquer forma, é muito difícil que isso aconteça. O Fluminense tem uma equipe muito qualificada, mas quando comparada às peças que o Manchester City possui, a diferença é gritante.

Um lado positivo para o Tricolor é a ausência de Haaland, De Bruyne e Doku, jogadores que realmente levam o City de grande equipe à top 3 do mundo.

Um outro fator é o grau de importância dado à competição pelos times sul-americanos. Sem dúvida, o Fluminense entrará em campo com a faca entre os dentes, já que se trata do jogo mais importante de sua história. Caso vençam os ingleses, voltarão para o Brasil com as maiores honrarias possíveis e serão lembrados para toda eternidade não só pelos torcedores, mas também por todos os brasileiros.

O Manchester City, sabe da importância de adicionar este troféu à sua sala. Contudo, ganhando ou perdendo, voltará  à Inglaterra para disputa do Campeonato Inglês, no qual precisa de uma recuperação se quiser conquistá-lo novamente.

Portanto, ainda que haja chance e fatores que contribuiriam para uma vitória do Fluminense, a disparidade técnica ainda é presente e dificilmente será superada.

Para você, quem será campeão do Mundial de Clubes da Fifa 2023?

A bola não é ingênua. Fernando Diniz é campeão da Libertadores

Imagem: Divulgação Fluminense

Escrito por Vitor F L Miller.

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