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John Textor: Americanização do futebol – Parte 3

John Textor

A terceira parte de nossa série Americanização do Futebol veio em boa hora. John Textor é um dos principais assuntos da mídia brasileira e internacional por suas falar e atitudes extremamente polêmicas, para dizer o mínimo, enquanto dono da SAF do Botafogo.

Acompanhe conosco um pouco dos outros trabalhos de Textor, bem como toda polêmica envolvendo o cartola estadunidense.

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Quem é John Textor?

John Charles Textor, ou simplesmente, John Textor, nasceu na pequena cidade de Kirksville, Missouri, EUA, em 30 de setembro de 1965.

Como já era de se esperar, não não se tornou um mega empresário se valendo do futebol.

Na realidade, quem o vê não imagina que ele era, quando jovem, um skatista de mão cheia. Tendo se mudado para Flórida ainda garoto, ele chegou a ganhar campeonatos importantes.

Porém seus dias de esportista estavam contados. Devido a uma lesão na cabeça, teve que abandonar a modalidade, se voltando para o mundo da programação e internet.

Desta forma, o que o levou a se tornar um bilionário foi a indústria do entretenimento e tecnologias disruptivas.

Ele é o antigo CEO da FUBOTV, plataforma de streaming dos mais variados esportes, sediada nos Estados Unidos.

Uma vez programador, ele mergulhou de cabeça no mundo dos efeitos especiais, sendo um dos líderes da Digital Domain, gigante empresa do ramo, ganhadora de diversos Oscar e fundada pela lenda, James Cameron.

Posto isto, em determinado momento, como um bom capitalista estadunidense, entendeu que o futebol seria um terreno fértil para investimentos de alto risco e decidiu embarcar nesta jornada, sem olhar para trás. Logo, foi criada a Eagle Football Holding, que detém ações em alguns clubes ao redor do mundo.

O portifólio poderia ser ainda maior, já que chegou perto de se tornar um dos maiores acionistas do Benfica, um dos clubes mais tradicionais do mundo. Além disto, foi sondada a possibilidade de deter participação do Watford e do Newcastle, o que também não se concretizou.

O que transparece sobre sua personalidade é de um empresário ativo nos negócios.

Sempre presente em jogos do Botafogo, inclusive em locais longínquos, ele tem tido sobre si os holofotes. Infelizmente, muito mais por falar coisas, até agora, consideradas descabidas e não por bons trabalhos.

Vejamos como ele realiza os investimentos de sua fortuna estimada em  U$ 1 a 1,5 bilhão de dólares.

Diretor do Botafogo promete pôr fogo no futebol brasileiro

Imagem: Vitor Sila/Botafogo

Olympique Lyonnais – Lyon (FRA)

Em dezembro de 2022, foi oficializada a compra de 77,49% das quotas de outros acionistas do Lyon, pelo valor aproximado de €800 milhões.

Com isto, o estadunidense se tornou o maior acionista deste, que por trabalhos não muito antigos, se tornou um dos grandes do futebol francês.

O Lyon, no século XX, não era considerado como time de grande expressão no cenário nacional, principalmente internacional. Até 2001, a equipe contava em sua sala de troféus com três Copas da França, conquistadas nos anos 60 e 70.

Tudo muda em 2001 com a chegada do maior ídolo do clube, Juninho Pernambucano.

O até então meia do Vasco da Gama tinha proposta concreta para jogar pelo Barcelona, que ofereceu alto, mas Juninho tinha dado sua palavra à Marcelo Dijan, representante do clube no Brasil, que iria à França.

Assim, o Lyon montou um verdadeiro esquadrão, que venceu o Campeonato Francês sete vezes seguidas. Juninho Pernambucano jogou 343 partidas, marcou 100 gols e foi o capitão do time.

Após sua saída, o Lyon não teve o mesmo sucesso. Faturou um título aqui e outro ali, até 2013. Isto muito pela chegada de Nasser Al-Khelaïfi ao PSG, que praticamente acabou com a competitividade do futebol francês.

Mais recentemente, em 2020, igualou sua melhor participação em Champions League, chegando à semifinal, mas foi eliminado para aquele que se tornou o campeão daquela edição, o Bayern de Munique. Coincidência, ou não, Juninho era diretor do clube à época.

Fato é que mesmo antes de Textor, o Lyon vive maus momentos no cenário nacional.

O último bom desempenho na Ligue 1 foi em 2019/20, com a quarta posição.

Com a chegada de Textor, não se vê evolução no desempenho esportivo da equipe, que segue no meio tabela. Local incondizente com a história recente do clube e levando em conta o baixo nível de competitividade da liga francesa.

Agora, um ponto deve ser observado. Desde o início da gestão Textor, o clube vive um ótimo superávit.

Desde a temporada 2022/23, a equipe teve um lucro de €79,4 milhões. As vendas de Lucas Paquetá, Barcola e Gusto foram preponderantes para o balanço.

Entretanto, é necessário que haja reposição de atletas à altura e, mais que isso, a formação de um time competitivo novamente.

Torcida do Lyon homenageia Juninho Pernambucano com mosaico 3D | futebol internacional | ge

Imagem: Emmanuel Foudrot/Reuters

Crystal Palace (ING)

O tradicional clube inglês fundado em 1905 é outra instituição da qual John Textor possui uma fatia; 45%.

Estima-se que a operação finalizada em 2021 tenha contado com o montante de £117,5 milhões.

O clube londrino não sofreu grandes alterações com a chegada de Textor no âmbito esportivo.

Uma equipe que jamais venceu a o Campeonato Inglês, antes ou depois da criação da Premier League, vive dias monótonos.

Depois da chegada do estadunidense, maior acionista do clube, eles seguem com posições de meio de tabela.

Porém, ao contrário do Lyon, que tem uma balança de venda de jogadores bastante positiva, o Crystal Palace vive um déficit importante desde a chegada de Textor.

Estima-se um gasto de £200 milhões e a entrada de apenas cerca £5 milhões desde a temporada 2021/22.

Tal gasto seria justificado caso houvesse um avanço importante no desempenho da equipe, o que não vemos neste momento.

O Crystal Palace é apenas 14º colocado da Premier League, com 30 pontos.

Torcida do Crystal Palace exibe faixas em protesto contra John Textor | Arivaldo Maia

Imagem: Tony Obrien/Reuters

RWD Molenbeek (BEL)

O Molenbeek é uma equipe fundada em 1951 com o nome de Standaard Wetteren. Entre falências e fusões, o RWD Molenbeek foi adquirido por John Textor também entre 2021 e 2022.

Os valores não foram divulgados, mas sabe-se que ele detém 80% das ações.

Textor chega no momento em que a equipe estava na Segunda Divisão Belga.

Em sua primeira temporada completa à frente da agremiação, ele conseguiu a conquista do título e acesso direto à elite do futebol belga.

Entretanto, neste momento, o Molenbeek é o último colocado da temporada regular, com possibilidade de rebaixamento muito iminente.

O Campeonato Belga tem um formato diferente. Há uma temporada regular e posteriormente são disputados jogos entre os últimos colocados para se salvarem do descenso.

Após assinar acordo com o Botafogo, John Textor é anunciado como co-proprietário do RWD Molenbeek, da Bélgica - Jornal O Globo

Imagem: Divulgação/RWDM

Botafogo (BRA)

Equipe de Textor mais importante, ao lado do Lyon, o Botafogo foi uma das primeiras SAFs do futebol brasileiro.

O estadunidense chega ao clube em março de 2022, adquirindo 90% de suas ações, depois de um período de reconstrução.

No ano de 2020, o Fogão foi rebaixado para Série B do Brasileirão, novamente, após uma temporada catastrófica. Foram os últimos colocados, somando apenas 27 pontos.

Conseguem o acesso à elite já no ano seguinte, fazendo uma ótima Série B, faturando o título com 70 pontos.

Desta maneira, por meio do investimento de R$400 milhões a ser diluído em quatro anos, a SAF do Botafogo foi constituída, muito pelo momento financeiro vivido pelo clube até então, que era absolutamente periclitante, ameaçando até poder fechar as portas por não conseguir arcar com compromissos triviais.

Em 2022, uma temporada regular no Brasileirão, ficando na 11ª posição, considerado bastante satisfatório para um clube que voltava à elite.

Agora, em 2023, a história foi diferente.

Conforme mencionado aqui inúmeras vezes, o Botafogo fez o melhor primeiro turno da história do Campeonato Brasileiro de pontos corridos.

Perder o título parecia uma piada de mau gosto. Entretanto, aconteceu de maneira trágica.

O clube perdeu o treinador português, Luis Castro, para o Al Nassr, de Cristiano Ronaldo. Dali em diante, foram de mal a pior.

Terminaram a competição no quinto lugar, uma verdadeira vergonha.

Textor, que durante todo o processo se mostrava confiante na conquista do título, viu seu mundo desmoronar rodada após rodada.

O ápice foi a derrota para o Palmeiras, por 4×3, depois estar vencendo a partida por 3×0 e com um penalti a seu favor com 3×1 no placar.

Ao final da partida, o empresário disparou contra o Palmeiras e CBF. Ele não parou por aí.

Conheça o John Textor, novo dono do Botafogo | Band

Imagem: Divulgação / Botafogo

O escândalo de Textor contra a CBF e o Palmeiras

Conforme supramencionado, o Botafogo via o título brasileiro escorregar por entre seus dedos depois da derrota histórica para o Palmeiras por 4×3 após estar vencendo por 3×0.

No final da partida, extremamente alterado, John Textor concedeu entrevista no campo ao Sportv.

Nesta oportunidade, com o dedo em riste, ele diz que isto que aconteceu (expulsão do jogador do Botafogo, considerada polêmica), era corrupção e um roubo.

No mais, pediu ao Presidente da CBF, Edinaldo Rodrigues, que se afastasse do cargo.

As palavras dele foram levadas seriamente pelo STJD, que o suspendeu preventivamente até o fim do Brasileirão 2023.

O Tribunal voltou a denunciá-lo em março deste ano por não ter apresentado as eventuais provas das acusações feitas.

Passado um mês da referida denúncia, ele volta com tudo.

Desta vez, ele afirma ter provas concretas de que jogadores estariam envolvidos em esquemas de corrupção.

O conluio, segundo ele, teria existido para beneficiar o Palmeiras e que isso vem ocorrendo há duas temporadas (2022 e 2023).

Mais precisamente, citou o clássico entre Palmeiras e São Paulo, quando o Verdão bateu o Tricolor por 5×0. Ele alega que nesta oportunidade, cinco jogadores do São Paulo estariam envolvidos no esquema.

O outro alvo das acusações de Textor foi o Fortaleza, na partida em que perdeu de 4×0, também para o Palmeiras.

Mas agora, de onde vem as tais provas pesadas que embasariam as denúncias do estadunidense? Segundo ele, de especialistas do assunto e inteligência artificial.

Confira as palavras de John Textor ao Canal do Medeiros:

” Temos provas pesadas, 100% confirmadas, de que o Palmeiras vem sendo beneficiado por manipulação de resultados por pelo menos duas temporadas. Desculpe se isso vai criar barulho, mas tenho provas, vou mandar aos procuradores. Estou aqui para defender a honra do meu clube. Posso prometer a vocês que ninguém vai mexer nas nossas partidas desse ano “

“Nunca argumentei que o próprio Palmeiras ou a sua presidente (Leila Pereira) fossem responsáveis por essa manipulação de partidas. Na verdade, no meu protesto contra a corrupção muito comentado, em novembro do ano passado, deixei claro saber que os ‘jogadores não queriam vencer desta forma’. No entanto, defendo, com grande convicção, que as ambições do Palmeiras no campeonato foram beneficiadas desta corrupção”

“Já tomei medidas para fornecer provas abrangentes relativas aos jogos acima, e outros, a um procurador jurídico competente, para incluir as provas de uma sequência de manipulações que devastaram o campeonato de 2023”

“Além dos maus atores em campo (geralmente jogadores), também estou preparado para demonstrar certas combinações individuais, atuando juntos de árbitros e árbitros de vídeo, que claramente conduziram jogos manipulados, ao mesmo tempo em que cometeram erros devastadores, que garantiram resultados manipulados”

 

Todos os envolvidos no caso se pronunciaram rapidamente, repudiando as falas de John Textor.

O Palmeiras, inclusive, foi além e entrou com uma ação no STJD.

Fato é que, caso as alegações de Textor tenham algum fundamento, ele terá mudado para sempre os rumos do futebol brasileiro.

Por outro lado, fazemos um apelo. Não brinque com o futebol brasileiro e não tente tumultuar a ordem presente. Realizar acusações deste calibre baseadas em inteligência artificial e especialistas parece ser algo bastante perigoso. Não só para o empresário, mas principalmente para o Botafogo, uma instituição centenária com uma reputação à zelar.

John Textor

Imagem: Reprodução/Premiere

Escrito por Vitor F L Miller.

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