Por Andrea Caropreso
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Em um calendário de futebol cada vez mais lotado, as copas nacionais às vezes podem ser vistas—especialmente por treinadores que precisam gerenciar a energia dos jogadores—como a competição menos atraente em termos de prestígio e rentabilidade. É comum escalar reservas para dar descanso aos titulares. No entanto, existem diferenças entre as 5 principais ligas europeias, tanto no apelo quanto nas receitas para os clubes.
Os números das copas nacionais
A FA Cup é a competição esportiva mais antiga e prestigiosa da Inglaterra. É uma questão de tradição—algo que o público inglês, conservador no futebol, jamais abriria mão. O motivo é simples: é um torneio aberto até mesmo para clubes amadores e, como se não bastasse, não há cabeças de chave no sorteio. Tudo depende da sorte, e até o clube mais rico do país pode acabar jogando num bairro remoto de Londres.
Paradoxalmente, porém, a FA Cup gera menos receita por clube do que a DFB-Pokal, a copa nacional da Alemanha. A Football Association não precisa “comprar” o interesse dos grandes clubes—já suficientemente ricos graças aos direitos de TV da Premier League—mas busca apoiar clubes menores. Na Alemanha, a DFB-Pokal consegue oferecer prêmios mais altos para grandes e pequenos graças a um contrato nacional de TV único e lucrativo.
Valores das Copas Nacionais – Top 5 Ligas
| Copa | Prêmio Total | Prêmio Campeão | Prêmio Vice |
|---|---|---|---|
| DFB-Pokal (ALE) | €66 M | €4,32 M | €2,88 M |
| FA Cup (ING) | €29 M | €2,3 M | €1,15 M |
| Coppa Italia (ITA) | €25,5 M | €7,1 M | €1,9 M |
| Copa del Rey (ESP) | €33 M | €1,2 M | €1,0 M |
| Coupe de France (FRA) | €8,6 M | €0,85 M | €0,45 M |
O caso italiano
O caso da Coppa Italia é exatamente o oposto. Entre todas as copas nacionais, a italiana é a que mais recompensa os grandes clubes—quanto mais avançam (e são favorecidos pelo sistema de cabeças de chave), maior o prêmio. Comparada à FA Cup, seu prestígio e tradição são historicamente menores. A Federação, portanto, garante que os grandes clubes tenham incentivo financeiro para escalar seus melhores jogadores e competir até o fim.

Por fim, na França e na Espanha, os valores das copas nacionais seguem uma tendência semelhante—não tanto pelo prêmio total (€33 milhões contra €8,6 milhões), mas pelo baixo valor dos direitos de TV das copas em comparação com o campeonato. Na França, a copa vale apenas 4% da receita de TV da Ligue 1; na Espanha, apenas 2% em comparação com o valor bilionário dos direitos da La Liga.
Diferenças culturais
Essa diferença de valor também é cultural. Além da tradição inglesa, a Alemanha compartilha o mesmo foco em redistribuir recursos para clubes menores. Em ambos os países, os prêmios não servem para “convencer” os grandes a participar, mas para integrar clubes pequenos e ajudá-los a crescer—como quando recebem um gigante como Manchester City ou Bayern de Munique.
Na Inglaterra, a FA Cup é vista como tradição popular—uma forma de se manter conectado a um futebol que talvez já não exista, mas que sobrevive por meio da competição. Culturalmente, sempre teve uma aura romântica e democrática, razão pela qual a FA distribui amplamente os prêmios, incluindo para clubes amadores que vivem o sonho de enfrentar equipes da Premier League. Muitas vezes, os torcedores se encantam mais com histórias de azarões do que com o valor econômico do troféu.

Na Itália, a copa nacional é vista como objetivo secundário para os grandes. O formato—em que as equipes de topo só entram nas oitavas—reforça a percepção de que o troféu é “feito” para eles. Isso explica por que os prêmios são concentrados nas fases finais: o foco não está no conto de fadas de um pequeno clube, mas no duelo entre gigantes.
Perspectivas para o futuro das copas nacionais
Num futebol dominado por grandes competições que geram enormes receitas, há o risco de as copas nacionais desaparecerem—especialmente nos países menos apegados a elas. Isso seria lamentável, pois as copas nacionais representam a última fronteira de um estilo de futebol que parece pertencer ao passado. Para evitar isso, é preciso inovação.
No caso da Coppa Italia, seria hora de a Federação adotar o modelo inglês (e o que já ocorre há anos nas outras grandes ligas): sem cabeças de chave, com todos começando na mesma fase. Uma competição “pré-definida” só interessa às emissoras que detêm os direitos, enquanto as histórias de clubes pequenos são as que apaixonam os torcedores e que eles querem contar aos filhos—tal como acontece na Inglaterra.












