Por Andrea Caropreso
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Fiorentina e Real Betis são dois clubes de dimensão muito semelhante. Observando seus resultados recentes na Europa, os espanhóis chegaram à final da Conference League na última temporada, enquanto a equipe viola ficou muito perto do título em 2022 e 2023. No plano administrativo, os dois clubes têm mantido gestões saudáveis, buscando sucesso esportivo sem descuidar das contas.
O balanço da Fiorentina
O balanço de 2024 da Fiorentina — o mais recente com dados oficiais — mostrou uma melhora significativa em relação aos anos anteriores, com prejuízo de apenas 5,9 milhões de euros, contra 19,5 milhões dois anos antes. Essa virada foi impulsionada pelo aumento das receitas, de 147,6 milhões para 157,3 milhões, e pelo crescimento do faturamento total, de 159,6 milhões para 199,9 milhões de euros.
O crescimento foi sustentado por direitos de TV, lucros de transferências e patrocínios. As receitas de transmissão alcançaram 61,5 milhões de euros, valor comparável ao de clubes médios da Série A, enquanto as mais-valias com transferências subiram de 7,7 milhões (2022/23) para 26 milhões (2023/24), reflexo de uma gestão eficiente no mercado.
| Item | 2022/23 (€ mi) | 2023/24 (€ mi) |
|---|---|---|
| Receitas totais | 159,6 | 199,9 |
| Perda líquida | –19,5 | –5,9 |
| Direitos de TV | n.d. | 61,5 |
| Mais-valias | 7,7 | 26,0 |
| Receitas de patrocínio | ~21,0 | 25,0 |
| Faturamento comercial total | ~41,5 | 50,2 |
Um fator determinante foi a parceria com a Mediacom, gigante das telecomunicações fundada pelo presidente Rocco Commisso, que continua sendo o principal patrocinador do clube. O contrato garante cerca de 25 milhões de euros por ano, colocando a Fiorentina entre os cinco clubes italianos com maior valor de patrocínio de camisa — à frente de Lazio e Atalanta.
O objetivo, segundo Commisso e sua diretoria, é atingir o equilíbrio operacional até 2025, aproveitando o crescimento da marca Fiorentina, que vem ganhando visibilidade graças à gestão americana. Com essa base sólida, o clube pôde construir o Viola Park, novo centro de treinamento, e iniciar a reforma do Estádio Artemio Franchi, infraestrutura essencial para o futuro.

O balanço do Betis
O Real Betis se apresenta hoje como um clube que, mesmo sem os recursos dos gigantes da LaLiga, trilha um caminho capaz de elevar seu status esportivo e econômico.
Os resultados estimados para 2023/24 apontam receitas entre 175 e 180 milhões de euros. Parte fundamental da estratégia do Betis é a reestruturação de sua dívida. O clube fechou um acordo de 125 milhões de euros com o Goldman Sachs para refinanciar o passivo e liberar recursos para investimentos estratégicos — especialmente na modernização do estádio.
Balanço Betis 2024
| Item | Valor / Detalhe | Observações |
|---|---|---|
| Receitas (2024) | €175–180 milhões | Crescimento em relação a 2023 |
| Acordo de reestruturação da dívida | €125 milhões | Financiamento de 10 anos com o Goldman Sachs |
| Receita projetada do estádio | de ~€30 mi para ~€50 mi/ano | Meta após reforma do “Benito Villamarín” |
Com a reforma do Benito Villamarín e melhor gestão comercial do estádio, o Betis espera aumentar as receitas anuais de cerca de 30 para 50 milhões de euros. Operacionalmente, o clube segue priorizando controle de custos, conforme o plano estratégico 2022–2026, consolidando-se como uma gestão exemplar no futebol espanhol.
Ainda assim, o desafio continua. Num cenário europeu cada vez mais competitivo, o Betis precisa transformar os avanços em infraestrutura e marketing em receitas sustentáveis, evitando que o endividamento comprometa o progresso alcançado. A participação constante nas competições europeias será decisiva para isso.
Um comparativo
Comparando as duas realidades, percebe-se que são duas faces da mesma moeda. Enquanto o Betis lida com a reestruturação da dívida, a Fiorentina reduz gradualmente seus prejuízos para alcançar o equilíbrio financeiro.

As receitas também são próximas: o Betis se aproxima dos 190 milhões de euros, enquanto a Fiorentina já atingiu esse patamar e deve superar os 200 milhões nas projeções para 2025, que serão divulgadas nas próximas semanas.
A principal diferença está no contexto: LaLiga e Série A possuem apelos e estruturas diferentes na distribuição dos direitos de TV, o que explica as discrepâncias de receitas entre clubes de porte semelhante.
Em ambos os casos, porém, é essencial manter presença nas competições europeias. A vitrine da UEFA — tanto pelo prestígio junto a patrocinadores quanto pelos altos prêmios financeiros — continua sendo uma oportunidade valiosa demais para ser desperdiçada.
Por Andrea Caropreso












