Milan fora da Europa: temporada desastrosa e revolução à vista

Milan fuori dall’Europa

Por Marta Elena Casanova

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A temporada 2024-2025 será lembrada como uma das mais amargas da história recente do Milan. A sétima colocação final na Serie A e a derrota na final da Coppa Italia contra o Bologna deixaram os rossoneri fora de todas as competições europeias na próxima temporada. Um fracasso total que não acontecia por méritos esportivos desde 2015-2016 e que marca o início oficial de processos internos e, acima de tudo, de uma revolução dentro do clube.

O que deveria ser o ano da confirmação, transformou-se em um lento declínio. A vaga na Champions League já parecia distante há semanas, e a Coppa Italia representava a última chance de garantir ao menos uma vaga na Europa League. No entanto, a derrota por 1 a 0 para o Bologna no Estádio Olímpico encerrou qualquer esperança, selando um fracasso esportivo com consequências econômicas pesadas.

Quanto o Milan perde sem as competições europeias

O impacto da ausência nas copas é enorme, tanto em termos de imagem quanto financeiramente. Apenas na temporada anterior, a participação na Champions League rendeu ao clube mais de 60 milhões de euros em prêmios da UEFA, receitas de bilheteria e direitos televisivos. A isso se soma a ausência na nova edição do Mundial de Clubes da FIFA 2025, que poderia render mais 45 milhões de euros.

Sem competições internacionais, o Milan terá que rever suas estratégias de mercado. Menos receita significa menos margem para investir, a menos que haja vendas importantes. Os nomes mais cotados para sair são Theo Hernández e Mike Maignan, dois dos poucos craques restantes no elenco e que podem garantir lucros significativos. Rafael Leão também pode entrar na lista de negociáveis caso chegue uma oferta irrecusável. O risco é de desmontar um projeto técnico já enfraquecido para começar outro, mas com menos recursos.

Revolução técnica e na diretoria: Igli Tare assume

A entrada de Igli Tare, ex-diretor esportivo da Lazio, marca o início de uma nova fase no Milan. Ele será o responsável por escolher o novo treinador e redesenhar o mercado do clube. Após a saída de Paulo Fonseca e a breve sondagem de Sérgio Conceição, o Milan busca um técnico que traga organização, identidade e ambição para um elenco que perdeu seu rumo.

Tare, conhecido por sua capacidade de trabalhar com orçamentos limitados, deve reorganizar o elenco focando em perfis jovens, sustentáveis e ambiciosos — de acordo com a filosofia “moneyball” promovida por Gerry Cardinale e a RedBird Capital Partners. Sua chegada pode representar uma mudança mais ampla em relação ao modelo anterior, rompendo definitivamente com a era de Paolo Maldini, afastado em 2023.

Protestos e ruptura com a torcida

Os protestos da torcida foram claros e intensos. No último jogo em San Siro contra a Monza, a Curva Sud exibiu faixas duras contra a diretoria, o presidente Scaroni e Cardinale, acusando-os de destruir a identidade do clube. Até Zlatan Ibrahimović, que voltou como consultor, foi criticado por não influenciar nas decisões. A relação com a torcida está abalada, e somente decisões corajosas poderão restaurar a confiança.

O Milan recomeça sem competições europeias e sem um treinador definido. As próximas semanas serão decisivas para entender quais serão as ambições reais do clube. A chegada de Tare é um sinal claro de mudança, mas o elenco precisa ser reformulado e o novo técnico deve ter ideias claras e forte liderança. Sem Europa, sem receitas e com a torcida desiludida, o Milan está diante de uma encruzilhada: renascer ou afundar em uma nova crise.

Por Marta Elena Casanova

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