Atalanta e Atlético de Madrid: balanços comparados

Atalanta

Por Andrea Caropreso

Siga-nos nas redes sociais para ficar atualizado com as últimas notícias do mercado da bola:  Instagram, Facebook e X.

No panorama do futebol europeu, Atalanta e Atlético de Madrid representam dois modelos muito diferentes, mas com um ponto em comum: a capacidade de ser grande sem ter a história dos gigantes. De um lado, a “Dea”, que construiu seu sucesso recente com base em planejamento, visão e valorização dos jovens. Do outro, o Atlético, que precisou competir com colossos como Barcelona e Real Madrid, optando por aumentar o faturamento para poder realizar contratações milionárias — como a de João Félix, em 2019, por 126 milhões de euros.

O balanço da Atalanta

O fechamento do balanço de 2024 já havia evidenciado o excelente estado financeiro da Atalanta, hoje um dos raros clubes italianos capazes de unir solidez financeira e competitividade esportiva. O exercício terminou com lucro líquido de 9,8 milhões de euros, impulsionado por uma receita crescente que passou de 193 milhões em 2023 para 242 milhões em 2024 — um aumento constante e estrutural.

Esse resultado é fruto de uma estratégia de gestão inteligente: ganhos de capital com vendas direcionadas, aumento nos direitos de TV e fortalecimento das parcerias comerciais renovadas. Somam-se ainda as receitas das competições europeias, nas quais o clube de Bérgamo consolidou sua reputação internacional, transformando seu balanço em um exemplo de administração eficiente.

Receita (2023/24) Valor (€M)
Direitos de TV 101,8
Serie A 60,6
UEFA (Liga Europa) 35,9
Bilheteria (estádio) 17,1
Patrocínios e comercial 26,3
Ganhos com transferências 70,9
Outras receitas 14,2
Total 242,1

Entre esses números, o destaque vai para os ganhos com transferências. Entre 2019 e 2024, a Atalanta arrecadou 521 milhões de euros em vendas, contra cerca de 370 milhões em contratações. O saldo positivo de 152 milhões comprova a eficiência do modelo, que mantém as contas equilibradas e o time competitivo na Itália e na Europa.

Atalanta Europa League

O modelo Atalanta

O sucesso do clube se deve à família Percassi, que administra a Atalanta como uma empresa moderna, baseada em eficiência, controle de custos e diversificação das fontes de receita.
A isso se soma a capacidade de planejar e investir a longo prazo. A entrada do investidor ítalo-americano Stephen Pagliuca, co-proprietário do Boston Celtics, marcou uma fase decisiva dessa evolução. Pagliuca trouxe capital e know-how internacional sem alterar o equilíbrio interno, mantendo a família Percassi na liderança estratégica — uma escolha que garantiu crescimento com continuidade e identidade local.

Outro pilar desse sucesso é Gian Piero Gasperini, o treinador que melhor representa a filosofia do clube. Sob seu comando, jovens talentos — vindos da base ou de observação técnica — tornaram-se jogadores de elite e ativos valiosos para o clube.

Fora de campo, a Atalanta também investiu em infraestrutura, renovando o New Balance Stadium — hoje um dos mais modernos da Itália — e ampliando o centro de treinamento de Zingonia, com novos campos e estruturas para as categorias de base. Um projeto voltado ao futuro, para formar jogadores em casa e sustentar o ciclo virtuoso de valorização de talentos.

giorgio-scalvini-atalanta-youth

O balanço do Atlético de Madrid

A dimensão e as ambições do Atlético exigem uma estratégia totalmente diferente para se manter competitivo. Como um dos dez maiores clubes da Europa, o time espanhol gera receitas que permitem realizar contratações de alto custo todos os anos.

Item financeiro Valor (€M) Observações
Receita total 409,5 Em alta em relação aos 393M de 2022/23; impulsionada por TV e patrocínios.
Direitos de TV 180 Principal fonte de receita; crescimento com a Champions e La Liga.
Comercial / patrocínios 142 Inclui parcerias globais como o naming rights do estádio.
Bilheteria (estádio) 65 Crescimento constante com o Metropolitano e eventos extraesportivos.
Vendas de jogadores 22 Atividade moderada; foco na estabilidade do elenco.
Custos com pessoal 260 Leve aumento; mais de 60% da receita total.
Custos operacionais e amortizações 135 Manutenção do estádio e amortização de contratos.
Resultado operacional +14,5 Margem positiva, porém limitada.
Encargos financeiros e impostos –13,5 Impacto da dívida estrutural.
Resultado líquido +1,0 Lucro marginal, mas estável.
Dívida financeira líquida ~540 Alta, mas controlada e refinanciada.

Dois pontos se destacam: a receita total e os custos. O Atlético gerou mais de 400 milhões de euros — quase o dobro da Atalanta —, consolidando-se como referência europeia. Entre os principais impulsionadores estão os grandes patrocínios (como o da Riyadh Air, que comprou os direitos de nome do estádio) e receitas de TV e bilheteria muito superiores às dos clubes italianos, incluindo a Atalanta.

No entanto, essa estratégia também implica custos altíssimos. Entre eles, as amortizações de contratos de jogadores, frequentemente adquiridos por valores elevados e nem sempre com retorno esportivo (como o caso de João Félix). Assim, se a Atalanta mostra que é possível fazer muito com poucos recursos, o Atlético representa o oposto: maior, mais exposto, com maior poder de investimento, mas com margem de erro bem menor.

Por Andrea Caropreso

Artigos Mais Recentes
Tags: Economia

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preencha esse campo
Preencha esse campo
Digite um endereço de e-mail válido.
Você precisa concordar com os termos para prosseguir