John Kennedy: De garoto problema a herói da América

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John Kennedy, desde os tempos de Xerém (como é conhecida a base do Fluminense), foi sempre muito bem cotado.

Todos acreditavam no potencial do jovem. Contudo, sua carreira não foi linear como imaginavam.

Confira conosco como foi a trajetória de John Kennedy e quais as perspectivas para o futuro.

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O caminho sinuoso de John Kennedy

John Kennedy, nasceu no dia 18 de maio de 2002, na cidade de Itaúna, interior de Minas Gerais.

O garoto leva este nome, claramente, em homenagem ao ex-presidente dos Estados Unidos da América, assassinado em Dallas, Texas, em 1963.

De acordo com o jogador, seu nome foi escolhido por seu pai, quem tem grande admiração pela história americana.

JK deu seus primeiros passos no futebol pela base do América Mineiro. No ano seguinte, se transferiu ao sub13 do Cruzeiro.

A chegada ao Fluminense, clube pelo qual começa a fazer sucesso, se deu apenas em 2018, já pelo sub17.

Em 2019, foi quando começou a jogar efetivamente. Logo em sua temporada de início, esteve em campo em 39 partidas e anotou 16 gols.

Joia 2021: pedido no profissional, John Kennedy prega paciência, mas sonha com dupla com Fred | fluminense | ge

Imagem: Gilvan de Souza / FFC

Já em 2020, uma montanha russa de emoções para o jovem. Apenas neste ano, ele chegou a jogar por quatro categorias diferentes: sub19, sub20, sub23 e finalmente, foi integrado ao elenco profissional do Fluminense.

O ano de 2021 ficou marcado por um momento de grande instabilidade na vida pessoal e profissional do atleta.

De acordo com relatos, ele passou a apresentar diversos problemas disciplinares, tais como se atrasar para a saída de uma partida para o Campeonato Carioca e participar de uma live na madrugada de um jogo.

As situações se arrastaram em 2022, de modo que JK teria se lesionado jogando uma “pelada” com os amigos. Como se não bastasse, ventilou-se que ele teria inclusive faltado em sessões de fisioterapia para lidar com a referida lesão.

A gota d’água para a diretoria do Fluminense foi quando, em maio de 2022, o carro de John Kennedy foi apreendido. Seu amigo, que dirigia o veículo, portava consigo dois tabletes de maconha.

John Kennedy, do Fluminense, pode pegar 1 ano de detenção após autuação - Super Rádio Tupi

Imagem: Reprodução Rádio Tupi

As manchetes negativas fizeram com que John Kennedy se tornasse um estorvo nos bastidores do clube. Todos sabiam de seu potencial e qualidade, mas o que deveria ser feito?

Como forma de discipliná-lo, ele foi enviado novamente para o sub20 e sub23, para treinar com as categorias de base. Obviamente, seu desempenho foi espantoso, anotando 9 gols e uma assistência, em 13 jogos.

Fernando Diniz chega ao Fluminense neste período e em diversas entrevistas diz que pretende usar e recuperar o jogador, fazendo menções ao lado humano do atleta profissional.

Chega o ano de 2023 e o Fluminense lança o teste de fogo a Kennedy. O jovem foi emprestado à Ferroviária, para disputa do Campeonato Paulista.

O garoto parece ter entendido o recado. Logo em sua partida de estreia, anotou um hat-trick contra o Água Santa e em 11 partidas fez 6 gols.

Apesar das boas partidas, a popular Ferrinha acabou rebaixada na competição. Independente disto, mostrou comprometimento, o que Fernando Diniz buscava.

Terminado o Paulistão, ele volta de empréstimo ao Fluminense e sob a tutela de Diniz, que orienta JK de todas as maneiras possíveis: seja técnica e taticamente, para melhorar seu desempenho enquanto jogador; seja aconselhando e mostrando os caminhos para se tornar um melhor profissional e ser humano.

O acompanhamento de perto surtiu o efeito esperado.

De forma gradual e supervisionada, o atacante de 21 anos passou a ser integrado ao grupo. Até o momento, fez 20 jogos no Brasileirão, anotando 4 gols e uma assistência, além de 3 jogos e um gol feito, na Copa do Brasil.

Mas foi na Copa Libertadores que ele garantiu o status de “predestinado” e até mesmo ídolo.

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Imagem: Buda Mendes/GettyImages

A Copa Libertadores de JK

Conforme mencionado em artigo anterior, John Kennedy pode ser considerado, ao lado de Cano e Diniz, um dos pilares da conquista inédita da Copa Libertadores pelo Fluminense.

Um jogador que, até o início da temporada era cotado como possível dispensado, se mostrou verdadeiramente indispensável.

Não é exagero dizer que, sem JK, o Tricolor das Laranjeiras continuaria sem Copa Libertadores. Queria o destino que seu caminho seguisse no Rio de Janeiro.

O Fluminense inicia a competição contra o Sporting Cristal, mas ele não chega a entrar no jogo, na vitória por 3×1.

Contra o The Strongest, no Maracanã, joga por 60′ e ajuda na vitória por 1×0.

Na atuação de gala, contra o River Plate, na fase do grupos, precisou de apenas 2′ em campo para dar a assistência para o quinto gol, marcado por Arias. Eram os sinais que Diniz buscava.

Um jogador que entra já nos acréscimos, imprimir velocidade e dar uma assistência é um sinal claro de comprometimento.

Não foi utilizado no jogo contra o Sporting Cristal, tampouco contra o Argentino Juniors, na partida de ida das oitavas de final.

Apesar disto, não se deixou abater. Muito pelo contrário. Foi no jogo de volta das oitavas de final que ele mostrou que seria fundamental para esta conquista.

Jogo muito difícil. A primeira partida tinha terminado em 1×1. Ambas as equipes tinham chances de saírem com a classificação, já que os argentinos também faziam uma bela partida.

Mas tudo isto mudou aos 72′, quando Fernando Diniz substituiu Keno por John Kennedy. Quando o jogo ficava cada vez mais nervoso e parecia caminhar para um decisão nas penalidades, John Kennedy serve Samuel Xavier, que abre o placar para o Fluminense.

Mesmo com o gol sofrido, o Argentino Juniors não desistia da classificação. Porém, isto se tornou inevitável no minuto final da partida, quando John Kennedy anotou seu primeiro gol na competição, o segundo do Fluminense, e o carimbo para as quartas de final.

Em apenas cerca de 25 minutos em campo, ele foi capaz de mudar o rumo do jogo. Mesmo muito jovem, botou a responsabilidade debaixo do braço e promoveu uma assistência, um gol e a classificação.

A partir daí, sua confiança e a certeza de que seria peça imprescindível para a campanha que terminou como vitoriosa, se traduziram as ótimas atuações. Isto apenas aumentou, com a conquista da titularidade, já que Keno havia se lesionado. JK foi o escolhido para substituir o experiente ponta.

Contra o Olímpia, boa vitória em casa por 2×0.

No jogo da volta, ele simplesmente acabou com a partida. Marcou um golaço, para abrir o placar e dar mais tranquilidade ao Flu. Aos 80′, ainda serviu Cano, para sacramentar a classificação às semifinais.

Contra o Internacional, mais duas apresentações de gala.

No Maracanã, deu assistência para gol de Cano. A partida acabou 2×2 e decisão foi completamente aberta para o Rio Grande do Sul.

No Beira-Rio, o Fluminense via a possibilidade de jogar sua segunda final de Libertadores se esvair. Isto, até o minuto 81. Entretanto, o Predestinado estava em campo. Ele empata a partida e seis minutos depois, Cano fecha a classificação.

John Kennedy diz que tinha certeza que Fluminense iria virar contra o Inter: "Estava bem tranquilo" | fluminense | ge

Imagem: Gustavo Garcia

Chegara o momento da grande final.

Embora Kennedy tenha tido atuações fenomenais, Diniz optou por Keno, que havia voltado de lesão e carregava consigo grandes partidas pelo Campeonato Brasileiro.

Além disto, Keno se encaixava melhor no estilo de jogo do Fluminense tendo em consideração o Boca Juniors como adversário, já que Fernando Diniz precisava de velocidade pelos lados do campo, como forma de abrir a defesa dos argentinos.

A ideia do técnico Tricolor e da Amarelinha deu certo, já que foi de Keno a assistência do primeiro gol, de Cano, em jogada de ultrapassagem pela lateral direita do ataque do Fluminense.

Com o jogo em 1×1 e caminhando para a prorrogação, Diniz chama JK e diz que ele entrará em campo no lugar de Ganso, o que acontece aos 80′.

Sabemos as palavras proferidas pelo técnico ao garoto, antes do início da prorrogação.

Mas agora, ficaremos com eventuais áudios de John Kennedy, enviados aos amigos, quando indagado por eles se estava nervoso para a decisão:

Não to ansioso não, cara. Quem vai resolver o jogo vai ser eu, cara, pô. Tá mentalizado irmão. Quando eu falo que vou fazer o gol, me arrepio todo. O gol é meu, mano.

A final, é questão de honra, o gol é meu. O gol do título é meu. Vou virar ídolo dessa porr* (Fluminense), com 21 anos.

Assim foi. Com mais uma assistência de Keno, aos nove minutos da prorrogação, a bola vem limpa para ele na entrada da área. Com toda a assertividade possível em suas veias, John Kennedy, o predestinado, acerta uma bomba de direita.

A bola, caprichosamente, bate na trave e na bochecha da rede.

A emoção foi tanta, que ele atravessou todo o campo para comemorar com os torcedores do Fluminense.

Por praticamente invadir a arquibancada do Maracanã, o juiz Wilmar Roldán, aplicou o segundo cartão amarelo e expulsou JK.

Ele assistiu de longe os minutos finais da concretização de sua profecia.

Perspectivas de futuro

O futuro de John Kennedy pertence tão somente a ele.

Assim como ele foi capaz de ter a confiança necessária para ser fundamental na conquista da América, ele deve também saber que sem dedicação e trabalho duro, nenhum jogador chega muito longe.

Ele sabe, desde muito jovem, do que é capaz. Marcou gols em todas as fases eliminatórias da Copa Libertadores.

Naturalmente, para um jogador com esse poder de decisão, qualidade técnica e força física, o destino deve ser a Europa.

Inteligente na leitura das jogadas, ele chegou a atuar como centroavante, segundo atacante, meia, ponta esquerda e até mesmo de lateral esquerdo.

Ele consegue reunir todas as principais características buscadas pelo mercado europeu, além do fato de ainda ser jovem, sendo um outro atrativo.

A questão principal agora é ver sua capacidade de comprometimento, que Diniz conseguiu extrair muito bem.

No futebol europeu de alto nível, os jogadores devem dedicar muito estudo e trabalho para aprender todas as nuances táticas impostas pelos treinadores.

Caso ele seja capaz de manter este ritmo de comprometimento, sem dúvida se tornará um importante jogador no mais alto escalão europeu.

Torceremos para que este cenário se concretize.

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Imagem: Lucas Merçon/FFC

Escrito por Vitor F L Miller.

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