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No futebol moderno, os patrocinadores se tornaram muito mais do que logotipos estampados em uma camisa. Eles representam uma parte crucial da identidade de um clube, contribuem para sua estabilidade financeira e contam um pedaço da história recente da equipe, do seu vínculo com o território e das suas ambições. O Bologna não é exceção. Aliás, nos últimos anos, o clube se movimentou com inteligência no cenário dos patrocínios, conseguindo construir uma rede sólida de parceiros coerentes com a sua imagem.

Bologna e Macron
Um dos rostos mais reconhecíveis do Bologna, além dos seus jogadores, é certamente a marca Macron. A empresa emiliana, com sede em Valsamoggia, é a fornecedora técnica do clube há vários anos, e a parceria foi renovada diversas vezes. Não se trata apenas de produzir uniformes e roupas esportivas: a Macron é um parceiro completo, envolvido em atividades de marketing, promoção e merchandising. Em uma época em que muitos clubes escolhem fornecedores globais, muitas vezes guiados por lógicas mais comerciais do que identitárias, o Bologna optou por apostar em uma excelência local, transformando seu uniforme em uma verdadeira bandeira do território.

Illumia
Outro nome fortemente ligado ao Bologna é a Illumia, empresa que atua no setor de energia. A Illumia foi patrocinadora nas costas da camisa rossoblù por diversas temporadas e teve um papel central em muitas iniciativas de comunicação do clube. Também neste caso, trata-se de uma empresa de Bologna que escolheu se associar a uma realidade esportiva local com convicção e continuidade. Não é apenas uma questão de visibilidade: é um pacto, uma sinergia entre empresas que querem crescer juntas e que falam a mesma língua — a da cidade.

Bologna e Saputo
O patrocinador principal, por sua vez, é o grupo Saputo, que não é local, mas representa mesmo assim um vínculo profundo com a propriedade do clube. Joey Saputo, empresário canadense de origem italiana e proprietário do Bologna FC, quis dar destaque à marca de sua empresa de laticínios. Trata-se de uma escolha simbólica, que reforça o vínculo pessoal entre o presidente e o time, mas também de uma jogada estratégica de marketing, considerando que a Série A continua sendo uma vitrine importante em nível internacional.
Mas quanto o Bologna realmente ganha com esses patrocinadores? Os valores exatos nem sempre são públicos, mas diversas fontes confiáveis permitem estimar que apenas o patrocinador principal — ou seja, o logotipo na parte frontal da camisa — gera cerca de 4 milhões de euros por ano para os cofres do clube. Não é um valor de clube de elite, é verdade, mas está em linha com as ambições e dimensões do Bologna. O patrocinador técnico, ou seja, a Macron, contribui com cerca de 1,5 milhão de euros anuais, aos quais se somam receitas indiretas provenientes da venda de merchandising, percentuais sobre as vendas e outras formas de colaboração.
Os outros patrocinadores — aqueles que aparecem na parte de trás da camisa, nas mangas ou em outros espaços — acrescentam receitas adicionais. Em algumas temporadas anteriores, como em 2018–2019, o valor total do uniforme do Bologna, excluindo o patrocinador técnico, foi estimado em cerca de 2 milhões de euros. A Illumia, por exemplo, investiu cerca de 300 mil euros para aparecer como patrocinadora traseira. Somando todos esses valores, a receita total com patrocínios supera tranquilamente os 5 milhões de euros por ano. Se forem consideradas também outras parcerias comerciais, publicitárias e promocionais, as receitas totais ligadas ao marketing e ao setor comercial chegam a se aproximar — e em algumas temporadas até a superar — os 11 milhões de euros.
Esses números ganham ainda mais relevância quando comparados ao balanço geral do clube. Em algumas temporadas, como a de 2019–2020, as receitas de patrocínio representavam cerca de 8% do faturamento total. Trata-se de uma porcentagem significativa para um clube que, como o Bologna, não pode contar com receitas astronômicas de direitos de TV ou com participações constantes em competições europeias. Os patrocinadores, portanto, são fundamentais para garantir continuidade, planejamento e solidez financeira.
Mas além dos números, existe um aspecto mais sutil — e talvez ainda mais importante: a identidade. A escolha dos patrocinadores nunca é neutra. O Bologna conseguiu construir uma carteira de parceiros coerente com a sua imagem: sólidos, locais ou de alguma forma ligados à história do clube, confiáveis. É uma estratégia que dá frutos no longo prazo, pois reforça o vínculo entre a equipe, a cidade e sua torcida. Não é por acaso que o estádio Dall’Ara é um dos locais onde a percepção de “sentimento de pertencimento” é das mais altas do campeonato.
Olhando para o futuro, não faltam oportunidades de crescimento. A participação em competições europeias, por exemplo, pode aumentar enormemente a visibilidade e, com isso, o valor dos espaços de patrocínio. A digitalização dos conteúdos — entre redes sociais, plataformas de streaming e conteúdos exclusivos — também abre novos caminhos para monetizar a visibilidade da marca Bologna FC. Já hoje, muitas empresas buscam não apenas um espaço na camisa, mas uma presença integrada na narrativa cotidiana do clube: postagens, vídeos, eventos ao vivo, bastidores.
O Bologna demonstrou nos últimos anos que sabe valorizar sua marca e suas parcerias de forma inteligente. Em um mundo do futebol cada vez mais competitivo e globalizado, no qual os grandes clubes ficam com a maior parte das receitas televisivas e comerciais, conseguir construir uma rede de patrocinadores sólida, coerente e produtiva é um sinal de maturidade na gestão. E talvez, seja exatamente por aí que passe o caminho rumo a objetivos esportivos cada vez mais ambiciosos.












