Por Marta Elena Casanova
Siga-nos nas redes sociais para se manter atualizado sobre as últimas notícias do mercado: Instagram, Facebook e X.
Index
No grande palco do futebol, as seleções de base — da Sub-17 à Sub-20 e Sub-21 — vivem em uma espécie de limbo midiático. Poucos torcedores as acompanham, raramente ganham espaço em horário nobre na TV e, apenas em casos de resultados extraordinários, conseguem chamar a atenção geral. Ainda assim, é justamente nesses torneios distantes dos holofotes que se escondem as raízes econômicas e esportivas do futebol do futuro: os craques de amanhã e as oportunidades de lucro para clubes e federações.
Jovens talentos, valor em crescimento
As seleções de base representam o primeiro passo rumo à elite do futebol. É nelas que os grandes clubes europeus buscam o novo fenômeno — o talento a ser lapidado e revendido por cifras milionárias. No entanto, na Itália, a atenção dada a essas categorias ainda é menor do que deveria.
Um Europeu Sub-17 ou um Mundial Sub-20 não alcançam nem uma fração da audiência da Seleção principal ou da Série A. Mas, para olheiros e investidores, esses torneios são verdadeiras minas de ouro.
Basta lembrar quantos nomes hoje protagonistas na Série A começaram ali: Chiesa, Tonali, Donnarumma, Barella, Scalvini, Ricci e Casadei. Todos vestiram a camisa azul “Sub” antes de chegar ao futebol dos grandes. E, para a FIGC, esse percurso tem valor não só técnico, mas também econômico.
A lógica econômica por trás das seleções de base
Cada talento valorizado em um torneio juvenil representa um potencial retorno financeiro para o sistema futebolístico. Quando um clube italiano lança um jovem formado em casa, obtém não apenas um ganho técnico, mas também uma futura valorização.
Segundo o relatório CIES 2025, os jogadores formados na Itália entre 17 e 21 anos valem hoje mais de 1,2 bilhão de euros no mercado europeu.
A Federação também se beneficia indiretamente: cada jogador que cresce em um contexto juvenil da Azzurra reforça o valor da marca da Seleção, aumenta o preço dos direitos de TV dos torneios da UEFA e FIFA e atrai patrocinadores interessados em associar sua imagem ao futuro do futebol italiano.
É um ecossistema que gera valor a médio e longo prazo — mesmo que nem sempre seja imediatamente visível.
A Sub-21 como trampolim
Entre as seleções de base, a Sub-21 é a mais estratégica. É o último degrau antes da Seleção principal e funciona como laboratório para módulos táticos e estilos de jogo.
Treinadores como Paolo Nicolato, Nunziata e, hoje, Carmine Baldini apostaram em um futebol técnico e ofensivo, capaz de desenvolver personalidade e coragem nos jovens.
As últimas atuações da Itália Sub-21 confirmam isso: quatro vitórias consecutivas nas eliminatórias para o Europeu de 2027 (incluindo 4-0 sobre a Suécia e 5-1 sobre a Armênia) reacenderam o entusiasmo em torno da equipe.
Destaques? Francesco Camarda, de apenas 17 anos e já em alta com a camisa azul, e Simone Pafundi, atacante da Sampdoria e líder técnico do grupo. Dois símbolos de uma base que, se bem cuidada, pode devolver a Itália ao topo do futebol.
Essas atuações não são apenas um sinal técnico, mas também econômico: cada sucesso de um jovem azul eleva seu valor — e, por reflexo, o do sistema que o formou.

Sub-17 e Sub-20: onde o scouting realmente começa
Se a Sub-21 mostra os frutos, Sub-17 e Sub-20 são o terreno da semeadura.
É ali que olheiros e analistas trabalham em silêncio, observando dezenas de jogos para identificar o talento antes dos outros.
Muitos clubes italianos, porém, ainda estão atrás das potências estrangeiras: a Inglaterra, por exemplo, investiu pesadamente em academias nos últimos dez anos, transformando torneios de base em verdadeiras vitrines de mercado.
Na Itália, o processo é mais lento, mas exemplos positivos existem: Atalanta, Empoli e Sassuolo criaram projetos técnicos que valorizam o talento interno e geram grandes lucros.
Seguir as seleções de base significa antecipar as jogadas dos grandes clubes — descobrir jogadores antes que virem estrelas midiáticas. Um diferencial competitivo que pode render milhões de euros.

Por que é preciso mais atenção
O verdadeiro problema é a falta de cobertura midiática.
Em uma era dominada por redes sociais e highlights, as partidas das seleções de base deveriam ser mais acessíveis e valorizadas.
A FIGC e a Lega Serie A já começaram a transmitir torneios Sub-18 e Sub-19 em streaming, mas o salto de qualidade virá com narrativa, comentaristas e storytelling.
Porque, por trás de uma Itália Sub-17 vencedora, há muito mais que um troféu: há o futuro do futebol italiano.
Um investimento para o futuro
Ver as seleções de base apenas como espaço de formação é limitador.
Elas são um investimento estratégico: cada euro aplicado hoje em scouting, staff e infraestrutura pode se transformar amanhã em dezenas de milhões entre vendas e receitas federativas.
A Itália tem tudo para voltar a ser protagonista no futebol juvenil — tradição técnica, escola tática e novas gerações promissoras — mas precisa de continuidade, visão e, sobretudo, da crença de que o futebol de amanhã começa hoje.
Por Marta Elena Casanova












