Por Marta Elena Casanova
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Seleções de futebol feminino: os ganhos na Copa do Mundo e na Euro
Nos últimos anos, o futebol feminino vivenciou um crescimento econômico sem precedentes, impulsionado por um interesse global em constante expansão e por investimentos cada vez mais significativos. Em 2025, dois anos após o histórico triunfo da Espanha na Copa do Mundo Feminina de 2023 na Austrália e Nova Zelândia, e com a recente conclusão da Eurocopa Feminina na Suíça — vencida pela Inglaterra nos pênaltis justamente contra as ibéricas —, é possível traçar um panorama detalhado sobre quanto as seleções femininas de futebol ganham atualmente nos grandes torneios internacionais.
Prêmios e premiações nos grandes torneios femininos
As principais fontes de receita para as seleções vêm dos prêmios oficiais vinculados às competições da FIFA e da UEFA. A Copa do Mundo Feminina de 2023 marcou um ponto de virada: pela primeira vez, a FIFA destinou um prêmio total superior a 60 milhões de dólares, quase o dobro dos 30 milhões distribuídos na edição anterior, em 2019, vencida pelos Estados Unidos. A Espanha, campeã de 2023, arrecadou cerca de 10 milhões de dólares, somando os prêmios coletivos e as quotas destinadas às jogadoras.
No caso da Euro Feminina de 2025, recém-concluída na Suíça, a UEFA confirmou uma premiação total de cerca de 16 milhões de euros. A equipe campeã pode receber até 2 milhões de euros, além de bônus por vitórias na fase de grupos, avanço nas fases eliminatórias e desempenho geral. Embora os valores sejam inferiores aos da Copa do Mundo, ainda representam um suporte financeiro relevante para as federações nacionais.
Direitos de transmissão: a verdadeira fonte de receita
Além dos prêmios oficiais, a principal fonte de entrada para as seleções femininas vem dos direitos de transmissão. A Copa do Mundo de 2023 alcançou mais de um bilhão de telespectadores no total, comprovando o apelo crescente do futebol feminino em escala global. Isso gerou receitas significativas para a FIFA e permitiu uma redistribuição mais ampla entre as federações participantes.
O mesmo se aplica à Euro 2025, que despertou grande interesse de emissoras e plataformas de streaming em toda a Europa. Em mercados como Alemanha, Reino Unido, Espanha e Itália, os direitos televisivos foram vendidos por valores recordes, impulsionando uma nova fase de investimentos nos departamentos femininos das respectivas federações.

Patrocínios e marketing: um setor em expansão
O boom do futebol feminino também atraiu patrocinadores técnicos, parceiros comerciais e grandes empresas. Seleções de destaque, incluindo a italiana, firmaram acordos milionários com marcas globais. Patrocinadores como Nike, Adidas, Visa, Coca-Cola e Barclays já estão presentes de forma estável nas principais competições femininas.
Isso levou a um aumento nas receitas com merchandising, licenciamento e ações promocionais, com impacto econômico positivo também em nível local. Os uniformes das seleções femininas estão sendo vendidos cada vez mais, as partidas atraem patrocinadores regionais e o engajamento do público segue crescendo.
Quanto ganha uma seleção feminina de alto nível?
No total, uma seleção feminina de ponta nos grandes torneios pode gerar receitas entre 15 e 20 milhões de euros em um ciclo de dois anos, somando prêmios oficiais, direitos de transmissão, patrocínios e merchandising. Para seleções mais estruturadas, como Espanha ou Inglaterra, esse valor pode ser ainda maior, especialmente quando se consideram as receitas indiretas com bilheteria, visibilidade internacional e investimentos futuros.
Conclusão: o futebol feminino é (também) um ativo econômico
O ano de 2025 marca uma virada: as seleções de futebol feminino deixaram de ser apenas um símbolo esportivo para se tornarem um ativo econômico concreto para as federações. A Copa do Mundo de 2023 representou uma ruptura em termos de prêmios e audiência, enquanto a Euro 2025 confirmou que o interesse pelo futebol feminino é estável e em expansão.
Os ganhos das seleções femininas nos grandes torneios internacionais refletem uma transformação em andamento: de movimento emergente para um ecossistema maduro, capaz de gerar valor, empregos e impacto social. E o futuro promete ir ainda mais longe.
Por Marta Elena Casanova












